O governador Ratinho Jr assinou o decreto 6637, de 20 de janeiro de 2021, autorizando escolas estaduais públicas e privadas, entidades conveniadas com o Estado e Universidades públicas a retomarem as aulas presenciais a partir do dia 18 de fevereiro.

Dados da Secretaria de Estado da Saúde (SESA) de 21 de janeiro, apontam que no Paraná houve até o momento mais de 511 mil casos confirmados de covid-19 e 9.171 mortes decorrentes da doença. Somente hoje, há registro de 71 óbitos e de 3.100 novos casos.

A direção do SINTESPO entende que a medida do governador causa perplexidade e suscita inúmeras dúvidas. A primeira é da ordem emitida no decreto que apenas “autoriza” a volta às aulas. Sendo assim, servidores e servidoras se questionam se o governo vai obrigar a volta ao trabalho nessa data ou se, a depender das condições, será facultativo o retorno.

O decreto condiciona a volta às aulas à resolução nº 632, da SESA, de maio do ano passado. Ocorre que na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), por exemplo, não há como cumprir à risca a resolução em várias de suas dependências, como laboratórios, salas de atendimento, gabinetes e até mesmo alguns espaços da própria reitoria. O estado joga nas mãos do reitor uma questão praticamente impossível de resolver. Além disso, o Estado vai providenciar Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) em quantidade e qualidade suficientes para o funcionalismo público?

Outra pergunta é se haverá vacina para toda comunidade universitária da UEPG até o dia 18 de fevereiro. As primeiras doses disponibilizadas pelo governo federal até agora não conseguiram dar conta nem dos profissionais de saúde e é sabido que a imunização começa a funcionar algumas semanas após a aplicação da vacina. Isso quer dizer que mesmo numa hipótese extremamente otimista, com a imunização da comunidade universitária iniciando no dia 1º de fevereiro, ainda assim não haveria tempo hábil para segurança de todos.

Nos resta a sensação de que o governador do Estado brinca com a angústia e com a vida dos paranaenses, tomando decisões em série que evidenciam seu negacionismo em relação à doença, como a obrigatoriedade da prova para PSS, recentemente, mesmo de posse de dados incontroversos sobre a letalidade e velocidade de transmissão da covid-19.

O SINTESPO lamenta as decisões do governador e vai promover esforços juntamente com outros sindicatos de trabalhadores das instituições de ensino superior do estado e outras representações sindicais para que o decreto seja revogado, garantindo assim a saúde dos paranaenses.

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